Dia Chuvoso...
Dizem que a chuva é deprimente, eu não concordo. Gosto muito de tempo chuvoso, amo assistir filme com apenas os olhos para fora do cobertor, se for de conchinha melhor ainda. Entretanto, hoje devo confessar que concordo com a maioria, muito a contragosto, diga-se de passagem.
Hoje estou sentindo saudades. E a chuva... Ah! Ela é a vilã dessa historia, mas só hoje... Quero que ela entenda que não a desejo mal algum, contudo hoje... Sinto que meu peito está se desfacelando em meio a este temporal que meio de repente interrompeu o costumeiro calor do final de fevereiro.
É tanta saudade que nem sei expressar o que está fazendo falta! Saudade da pureza do inocente olhar infantil, que não escondia nada nem percebia a maldade no mundo a fora, maldade esta que teima em nos sacudir a cada curva do rio. Saudade da certeza que os sonhos podem existir e coexistir uns com os outros, assim como as pessoas.
Ta, ok! Eu sei que os sonhos são alimentados por nós e que não podemos desistir e blá blá blá... Mais hoje, só hoje, resolvi me permitir sentir... Saudade da amizade roubada pelas escolhas erradas. Do amor verdadeiro que talvez não passasse de ilusão. Das duras desilões, que deixaram suas profundas marcas e com suavidade cumpriram seu papel no processo evolutivo ao hoje, agora, para sempre...
O que escrevo são apenas solitárias palavras de um coração comum, que sofre, sorri, se enternece... Coração este que está repleto de carinho aguardando apenas um sinal da chuva para transbordar. Afinal todo bom poeta necessita de uma musa, não é mesmo? E quem melhor há de ser musa para um quebrantado coração do que a Dona Chuva?
Chuva que sempre existiu para limpar a terra e o ar. Chuva que se mistura aos mares, que é fonte de vida e se transforma dia-a-dia. Ah chuva se você soubesse quão responsável é pela minha apatia! Mais só hoje.
Luana Brandão
